Onde a maternidade floresce
Mães da MRD dividem suas histórias, inspirações e transformações
O Dia das Mães está chegando e, desta vez, eu não consigo escrever de um lugar distante. Eu escrevo daqui, de dentro. Eu, que conto tantas histórias ao longo do ano, hoje me vejo nelas. Sou mãe. Daquelas que choram com papel de bala, com desenho amassado na mochila, com um “te amo” dito sem aviso.
A maternidade me atravessou. Me transformou de um jeito que reorganizou tudo em mim. Como se, no meio de tudo, eu tivesse encontrado uma parte muito profunda da minha própria missão.
E talvez seja por isso que esse texto não seja só um texto. Porque eu converso com muitas pessoas aqui dentro. Escuto histórias nos corredores, nos intervalos, nas pausas rápidas entre uma demanda e outra. E eu sei: existem histórias de maternidade que não cabem em um livro, quanto mais em um texto. Ainda assim, ousei contar algumas delas.
Aqui na MRD, a maternidade não cabe em uma definição. Ela pulsa em histórias que, muitas vezes, a gente nem imagina por inteiro. Tem mãe solo que, em silêncio, reorganiza o mundo todos os dias, que encontra força onde nem sabia que existia e, ainda assim, guarda um abraço no fim do dia.

E é nesse lugar que está a história da Angélica Santos, da MRD Rio de Janeiro. Mãe solo da Bianca, hoje com 28 anos, ela traduz com clareza o que essa jornada representa na prática: “A maternidade solo exige muito mais responsabilidade, muito mais força e resiliência. É preciso ser múltipla: mãe, provedora, educadora. Isso sem falar que depende de uma única pessoa ensinar os valores, amor e respeito que são levados para a vida. Ser mãe não é um caminho perfeito, mas é uma fonte de alegria e orgulho.”
Na fala da Angélica, a maternidade aparece como ela é, intensa, desafiadora e profundamente transformadora. Um caminho construído todos os dias, com coragem e entrega.
Por aqui também tem mãe de um, de dois, de três. Cada uma vivendo seu próprio ritmo, seu próprio jeito de amar, de cansar, de recomeçar. E, às vezes, essas histórias não são sobre quantidade, mas sobre como o amor se transforma a cada chegada.
A Fabiana Bicalho, Assistente Jurídica da MRD Belo Horizonte, vive exatamente essa construção. Mãe de três crianças pequenas, ela traduz, com verdade, o que é crescer junto com cada filho:
“Cada filho me transformou de um jeito. O primeiro me ensinou a descoberta. Aquele amor que chega sem aviso, gigante, quase impossível de caber no peito. Junto com ele, vieram as inseguranças, o medo de não dar conta, a tentativa constante de acertar. O segundo me mostrou que o coração se expande. Ele não se divide, ele cresce. E cresce tanto que a gente aprende, na prática, que amor não tem limites. E então veio o terceiro…E, com ele, vieram os medos mais profundos. O desespero de não conseguir, de deixar faltar, de ter que refazer mais uma vez os meus planos, sonhos e caminhos”.

E foi justamente nesse ponto, quando o medo encontrou o limite e as certezas já não sustentavam, que algo mudou por dentro. Não porque tudo se resolveu, mas porque nasceu um outro tipo de força, mais profunda, que não vem do controle, mas da entrega: “Mas foi ali também que eu mais senti o cuidado de Deus. O quanto Ele olha por mim. O quanto Ele sustenta, supre e fortalece, mesmo quando eu acho que não vou dar conta. E depois de três filhos… nasceu uma nova mulher. Mais forte, mais cansada, mais consciente”, finaliza Fabiana.
Tem mães que vivem a maternidade em suas formas mais reais, típica, atípica, intensa, imperfeita, bonita do jeito que é. Quem traduz isso com sensibilidade é a Elisângela Viana, Auxiliar Administrativa da MRD Belo Horizonte.

Mãe de três filhos, ela carrega uma história que começa antes mesmo de se tornar mãe, na relação com a própria mãe, que moldou tudo o que ela se tornou:
“Eu não poderia falar da minha experiência como mãe sem enaltecer a minha experiência como filha. A minha mãe é uma mãe solo e, além disso, ela tem deficiência. Ela é surda-muda e tem uma mentalidade infantil. Eu sou filha quase que de um milagre, filha de uma mulher muito forte. Ela viveu em um contexto difícil, foi muito repreendida, mas lutou muito para me ter.”
Na história da Elisângela, a maternidade também se constrói de um lugar inverso, delicado e potente. Ao mesmo tempo em que é mãe de três filhos, ela também cuida da própria mãe, como se a vida tivesse ampliado esse papel: “A minha mãe não tinha muito a contribuir em termos de educação por conta das limitações dela, mas ela sempre foi mãe. E hoje, de certa forma, eu sou mãe da minha mãe. E faço isso com muito orgulho, com muito amor. Porque tudo o que eu aprendi veio do afeto, do cuidado, do olhar. E foi isso que eu levei para os meus filhos.”

Na fala dela, a maternidade ganha outra dimensão. Não é só sobre ensinar, mas sobre sentir. Não é só sobre conduzir, mas sobre cuidar. É um amor que atravessa gerações e se reinventa, mesmo quando não há referência pronta.
E, às vezes, esse encontro acontece quando ninguém mais espera. A maternidade chega sem pedir licença, mas encontra lugar. Como na história da Maria José de Barros, na MRD São Paulo. Aos olhos de muitos, veio mais tarde, aos 38 anos, em um tempo que tanta gente ainda insistia em medir com régua as fases da vida. Mas, na verdade, veio quando havia espaço, na trajetória e no coração.
“Durante anos, ouvi a mesma frase: ‘tá passando da hora’. Mas a hora de quem? O mundo cobra, a família questiona, o relógio biológico apressa. Só que eu descobri que maternidade não obedece prazo. Minha filha não chegou quando eu planejei. Ela chegou quando a vida decidiu que eu já tinha aprendido o suficiente para recebê-la.”

Hoje, aos 59, ela olha para essa escolha com tranquilidade, como quem entende que o tempo não atrasa aquilo que é para ser, ele prepara o terreno: “O que define a maternidade não é quando ela começa, mas sim na forma como ela é vivida. Eu não medi o início, medi a escolha. Escolhi viver esse processo com um olhar mais atento e uma paciência que só o tempo constrói. Não sou uma mãe perfeita. Sou uma mãe mais consciente”, afirma Maria.
E se, para algumas mulheres, o tempo é o cuidado silencioso de preparar o terreno, para outras, ele já se revela como colheita viva, pulsando por dentro, crescendo em ritmo próprio, anunciando, com delicadeza, que a vida está a caminho.
É o caso de Jane Guimarães, advogada, que vive não apenas o início, mas a plenitude desse ciclo. Grávida de nove meses, à espera de Olívia, sua primeira filha, ela carrega no olhar uma emoção que transborda antes mesmo das palavras. É um sentir que ainda se organiza, mas que já transformou tudo por dentro.
“Foi uma gravidez planejada. Se acontecesse, tudo bem, mas se não acontecesse seria quando Deus quisesse.”

E mesmo lá atrás, quando tudo ainda era começo, o tempo já parecia ter outro compasso:
“Descobri a gravidez com cinco semanas de gestação, mas parece que tem muito tempo que estou esperando por ela.”
Há, em suas palavras, uma mudança que não faz alarde, mas que redesenha tudo. Uma reorganização delicada de prioridades, de sentimentos, de mundo. “Minha ansiedade está super controlada. Eu era muito ansiosa, preocupada demais, mas depois da Olívia parece que criei uma barreira. Ela é mais importante que qualquer coisa.”
Antes mesmo de chegar, Olívia já ensinou. Sobre calma. Sobre presença. Sobre o que, de fato, importa.
E é nesse espaço, entre a espera e o encontro, que a Jane floresce em uma nova versão de si mesma. Uma versão que já é mãe, mesmo antes do primeiro abraço.
E aqui na MRD, de forma silenciosa, quase invisível aos olhos mais apressados, também existem aquelas que esperam. Mulheres que sonham, que tentam, que imaginam, em detalhes, como será o dia em que esse amor finalmente terá forma, nome e colo. E eu penso nelas com um cuidado especial. Porque a espera também é um tipo de maternidade. Uma maternidade que se constrói no tempo, entre esperanças renovadas, dias difíceis e uma coragem que quase ninguém vê.
É um tipo de amor que já existe antes mesmo de chegar. Um amor que insiste, que resiste, que aprende a conviver com o tempo sem deixar de acreditar nele. E, ainda que o caminho não seja linear, há algo que permanece: a vida encontra seus próprios caminhos. No seu tempo. Do seu jeito. Mas encontra.
Escrever esse texto foi mais do que contar histórias. Foi me reconhecer em cada uma delas. Foi entender que, de alguma forma, todas nós estamos gestando algo: sonhos, recomeços, futuros possíveis. Talvez seja isso. A maternidade não começa no nascimento. Ela começa no sentir. E não é só sobre quem chega. É, sobretudo, sobre quem a gente se torna ao longo do caminho.
A cada uma das mães que abriram um pedacinho da sua história aqui, fica o meu agradecimento mais sincero. Obrigada por dividirem sentimentos, memórias e vivências que ajudam a dar sentido a tudo isso. E a todas as mães da MRD, em suas diferentes fases e formas de viver a maternidade, o nosso carinho, respeito e admiração. Que esse dia seja um lembrete do quanto cada uma de vocês é importante, dentro e fora daqui.
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Taiana Farias
Coordenadora de Comunicação Corporativa da MRD e mãe